http://www.4shared.com/office/dD1iDzqL/A_ditadura_do_corpo__3_.htm
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Este espaço, tem a intenção de levar um pouco de História,Política,Filosofia e Literatura, dando a oportunidade para abrir discussões objetivando a reflexão dos visitantes. Sejam bem vindos!!!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 6 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Retratos da Leitura no Brasil.
O Instituto Pró-Livro divulga a segunda pesquisa que buscou avaliar diversas questões relacionadas a leitura no Brasil.
Muitos dados importante que podem levantar discussões, dados referenciais para elaborações de projetos que visem buscar caminhos em que busque superar a resistência a leitura das crianças e do povo de uma forma geral.
Deixo o link disponível logo a baixo para possíveis interessados.
http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/dados/anexos/48.pdf
Muitos dados importante que podem levantar discussões, dados referenciais para elaborações de projetos que visem buscar caminhos em que busque superar a resistência a leitura das crianças e do povo de uma forma geral.
Deixo o link disponível logo a baixo para possíveis interessados.
http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/dados/anexos/48.pdf
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Ocupação patética, Reação tenebrosa.
Ao que tudo indica , a ocupação da reitoria da USP foi de fato patrocinada por grupo de aloprados, que atropelou o rito das assembléias realizadas até então e, num ato de desespero (calculado?), fez fez rolar morro a baixo uma pedra que, aos trancos, deveria ser endereçada para pontos mais altos da discussão.
Uma vez que essa pedra rolou, como se viu, tudo desabou. Absolutamente tudo, o que se nota pela declaração do ministro-candidato-a-prefeito (algo como: bater em viciado pode, em estudante não) e do governador (vamos dar aula de democracia para esses safadinhos), passando pela atitude da própria polícia ( tão aplaudida quanto o caveirão do Bope que arrebenta as favelas), de cinegrafistas (ávidos por flagrar os “marginais” de camiseta GAP) e de muitos, masmuitos mesmo, cidadãos que só esperavam o ataque aéreo dos japoneses em Pearl Harbor para, em nome da legalidade, arremessarem suas bombas atômicas sobre Hiroshima.
O episódio, em si isolado, é sintomático em vários aspectos. Primeiro porque mostra que, como outros temas-tabu (questão agrária, aborto...), a discussão sobre a rebeldia estudantil é hoje um convite para o enterro do bom senso. O episódio foi, em todos os seus atos, uma demonstração do que o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle chama de pensamento binário do debate nacional – segundo o qual a mente humana, como computadores pré-programados, só suporta a composição “zero” ou “um”. Ou seja: estamos condicionados a um debate que só serve para dividir os argumentos em “a favor” ou “contra”, “aliado” ou “inimigo”.
De uma lado, uma minoria de estudantes que, sim, usa a universidade para o que há de pior na vida pública, como politicagem e ignorância sobre noções básicas de convivência; e que, queira ela ou não, atrai uma nuvem de antipatia dentro da comunidade acadêmica e da opinião pública que contamina qualquer avanço ou reividicação séria, legítima e bem costurada pelos estudantes de fato.
Do outro, uma parcela da opinião pública que jamais suportou qualquer sinal de organização política – seja estudantil, sindical, partidária – e que viu no episódio um pretexto para colocar as garras de fora, cuspir sua raiva e taxar os estudantes, qualquer um que fosse contra a presença da PM no campus, de baderneiro, vagabundo, privilegiado, filhinho de papai, maconheiro e inútil. Porque bater em estudante com o argumento de que não trabalha e, sob as asas dos pais, ainda não sabe como a vida prática é dura é o mais fácil e covarde dos argumentos (como se só os pais de família, que pagam impostos e vão à missa, reunissem as condições necessárias para se graduar em cidadania para reclamar da vida).
A ocupação da reitoria da maior universidade do País deu munição paa que boa parte da opinião pública (inclusive estudantes) testemunhasse, graças à transmissão ao vivo das emissoras, a legitimação de seus desprezos contra estudantes que, diferentemente deles, ainda ousam apontam o dedo para o alto e dizer que alguma coisa está errada.
Originários de uma multidão crescida sob o mito de self made man (“minhas conquistas são fruto do meu próprio trabalho, e o Estado muito ajuda quando não me atrapalha”), muitos usaram canais de manifestação, como as redes sociais, para despejar os argumentos mais covardes contra todo (todo mesmo) universo estudantil, sobretudo o sistema público de ensino, do “bem feito” ao “viva a legalidade”. Como se os ritos democráticos tivessem sido respeitados desde o começo, quando o então governador José Serra (PSDB) decidiu justamente desprezar a vontade da comunidade acadêmica e nomear Jão Grandino Rodas, o segundo candidato mais votado, para o cargo. Como se fosse legítimo, também, determinar, de cima para baixo, que a PM transferisse para o campus o seu modus operandi. Hoje a bronca, gota d’água de toda a crise, foi por não se poder fumar maconha em paz – sim, é uma discussão menor num país de tantos problemas; sim, pode revelar um desnecessário privilégio a um grupo que não é inimputável; mas sim (e é bom lembrar), existe, e não só na comunidade estudantil, uma questão em torno da descriminalização da droga, que é aceita inclusive em marchas na Paulista.
Mas, em meio às manifestações contrárias aos invasores (que, sim, sabem o que fazem e não poderia descumprir decisão judicial), o que mais estranha não é ver senhores engravatados, os tais cidadãos que trabalham e pagam impostos, pedindo punição exemplar aos “aloprados”. Estes estão preocupados demais em manter o estado das coisas exatamente como está: assim como a polícia é útil na saída da favela, éútil também que ela tome conta de qualquer, mas qualquer mesmo, insurgência estudantil. Para a reitoria, ogovernador os empresários que querem se apropriar do espaço público para obter lucros privados, parece mais que óbvio o interesse em deslegitimar não só as ocupações estapafúrdia, como foi o caso, mas também esmagar a vóz, quçá para sempre, do movimento estudantil.(“Já pensou se eles, como os sem-terra, em vez de se dividir, resolvesem se unir para ir às ruas, pedir condições melhores de vida e de trabalho e, mais tarde, entram no mercado do trabalho já contaminados com ideias subversivas, entre elas a de que a vida não se resume a dinheiro?”)
O que é estranho dessas reações todas de ojerizar aos uspianos é que elas partem de quem muito cedo na vida já se aproximou do discurso dos pais, criados num clima de “Brasil: Ame-o ou Deixe-o” herdado o regime militar; e que, portanto, vêem na obediência, no não-engajamento, na docilidade, na adaptação a um mundo já pronto o único caminho possível para salvar as próprias peles em um jogo arbitrário de saída. Tenho, para isso, uma tese de botequim: a de que minha geração, nascida em meados dos anos 80 e criada nos anos 90, foi o maior baby boom de bundões que o Brasil já testemunhou; crescemos com meo da violência, das doenças sexualmente transmissíveis e do outro (do faveldo ao muculmano) e, por este motivo, decidimos nos enclausurar em bolsões de segurança (o shopping, a escola particular e os condomínios fechados) para poder nascer e morrer em paz, sem grandes objetivos na vida a não ser aceitá-la. Por isso aceitamos abrir mão de uma relativa liberdade (porque ela nunca é absoluta) para viver em segurança. E se amanhã algum policial resolver matar algum suspeito (ela chama de “meliante”) entre uma aula e outra na FFLCH ou na FEA, paciência, bola pra frente. Faz parte do jogo. Em nome da segurança, aceitamos a diferença de forças em jogo: estudante, quando alopra, compra cerveja e depreda a reitoria; policial, quando alopra, atira. (Em tempo: nem todos os policiais abusam, como nem todos os estudantes invadem; mas a diferença dos estragos proporcionados entre os que, por lei, detêm o monopólio da violência e os que não o detêm é abissal.
O caso de um aluno da faculdade de ciências sociais – curso visto por parte da elite paulista como ponto de irradiação de tumulto tal qual uma ogiva de Mahmoud Ahmadinejad – exemplifica a situação criada com a simples presença da PM no campus:
Em menos de um ano, já foi abordado cinco vezes por policiais. Suspeito de quê não se sabe, e não está cientificamente provada se há perseguição pelo fato de ser negro, mas uma amiga dele, branca, relata: já ouviu de um policial que poderia ser liberada porque não tinha “perfil” de marginal.
Uns aceitam a situação. Outros, pelos métodos certos ou não, resolveram deixar claro que não aceitam. Tudo isso me leva a dizer que eu nutria uma simpatia, ainda que leve, levíssima, aos ingênuos invasores que erraram a hora pensando que fazia história _ até começarem a agredir os repórteres que estavam lá para ouvi-los. Mesmo assim, ainda parecem ser mais interessantes do que os coxinhas que, vestidos como pais, esquecem que um dia foram estudantes e que um dia também pensaram que poderia mudar o mundo. Hoje engolem lama, agradecendo quando lhe chutam as cabeças e dormem pensando ser coerentes aos seus princípios. Ou, como na música, “caminham para a morte pensando em vencer na vida”.
Critique-se o quanto quiser a partidarização de parte do movimento, mas são os estudantes os agentes de uma história que ainda somam coragem e disposição para se organizar e promover discussões e manifestações que, via de regra, apontam caminhos não observáveis por quem, a olhos nus, está atolado nas funções diárias da visão social do trabalho. O empregado tem medo da greve e de perder o emprego; o patrão tem medo de perder o lucro; o governador, o medo de perder o poder. Mas os estudantes estão, em tese, livres das amarras que os impediriam de simplesmente optar por outros caminhos. Isso não deveria ser vergonhoso, nem apontado como privilégio.
O fato é que o rótulo (e a imagem do invasor vestido GAP) pegou bem aos que tem alergia a organizações sociais. Legalidade, insegurança, hipocrisia, racismo, perseguição (ou mania de), erros táticos, partidarização, elitização do ensino, espetacularização da notícia, truculência, tensão... São muitos os ingredientes que fazem do confronto entre estudantes e reitoria/governo paulista um tema complexo, que não poderia jamais descambar para o Fla-Flu. Mas descambou, graças à ação desastrada de um grupo que, agora, se coloca como “perseguidos políticos” – e virou tema de piada, ou pólvora pura para um galão de gasolina reservado por quem nunca deu a mínima par ideais como coletividade, bom senso e democracia.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
8° Curso de História de São Paulo.
São Paulo de Todos os Credos Religiões e Práticas Religiosas.
2011
Público-alvo
Totalmente gratuito, o curso é voltado para estudantes, professores, historiadores e demais interessados.
Data
O Curso será sempre ministrado as quintas-feiras de 18 de agosto a 27 de outubro de 2011.
Horário
As aulas terão duas horas e meia de duração, acontecendo sempre no período da manhã, das 9h30min. às 12hs.
Local
Espaço Sociocultural - Teatro CIEE
Rua Tabapuã, n° 445, Itaim Bibi - São Paulo/SP.
Haverá estacionamento gratuito no local.
Programação
18/08 - A perda do protagonismo da religião católica em São Paulo - Flávio Pierucci (USP).
25/08 - O budismo e suas manifestações em São Paulo. - Frank Usark (PUC-SP).
01/09 - Religiões Afro-Brasileiras em São Paulo - Reginaldo Prandi (USP).
15/09 - Protestantes e Pentecostais "clássicos" em São Paulo (1865-1962). - Leonildo Silveira Campos (UMESP).
22/09 - Neopentecostalismo: o fest food da fé. - Edin Sued Abumanssur (PUC).
29/09 - O novo boom Kardecista - Bernardo Lewgoy (UFRGS).
06/10 - Feições e derivações da Renovação Carismática Católica. - André Ricardo de Souza (UFSCAR).
13/10 - Nova era e novas espiritualidades. - Silas Guerreiro (PUC-SP).
20/10 - São Paulo: uma metrópole religiosa. - Maria José Rosado (PUC-SP).
27/10 - As tribos urbanas juvenis paulistanas e suas religiões. - Alexandre de Almeida (Geint/CNPq).
Como participar
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas por aula de interesse, individualmente e na semana de cada aula por meio do site:
www.cee.org.br/portal/eventos
Para mais informações ligue: (11) 30406541/6542.
2011
Público-alvo
Totalmente gratuito, o curso é voltado para estudantes, professores, historiadores e demais interessados.
Data
O Curso será sempre ministrado as quintas-feiras de 18 de agosto a 27 de outubro de 2011.
Horário
As aulas terão duas horas e meia de duração, acontecendo sempre no período da manhã, das 9h30min. às 12hs.
Local
Espaço Sociocultural - Teatro CIEE
Rua Tabapuã, n° 445, Itaim Bibi - São Paulo/SP.
Haverá estacionamento gratuito no local.
Programação
18/08 - A perda do protagonismo da religião católica em São Paulo - Flávio Pierucci (USP).
25/08 - O budismo e suas manifestações em São Paulo. - Frank Usark (PUC-SP).
01/09 - Religiões Afro-Brasileiras em São Paulo - Reginaldo Prandi (USP).
15/09 - Protestantes e Pentecostais "clássicos" em São Paulo (1865-1962). - Leonildo Silveira Campos (UMESP).
22/09 - Neopentecostalismo: o fest food da fé. - Edin Sued Abumanssur (PUC).
29/09 - O novo boom Kardecista - Bernardo Lewgoy (UFRGS).
06/10 - Feições e derivações da Renovação Carismática Católica. - André Ricardo de Souza (UFSCAR).
13/10 - Nova era e novas espiritualidades. - Silas Guerreiro (PUC-SP).
20/10 - São Paulo: uma metrópole religiosa. - Maria José Rosado (PUC-SP).
27/10 - As tribos urbanas juvenis paulistanas e suas religiões. - Alexandre de Almeida (Geint/CNPq).
Como participar
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas por aula de interesse, individualmente e na semana de cada aula por meio do site:
www.cee.org.br/portal/eventos
Para mais informações ligue: (11) 30406541/6542.
sábado, 6 de agosto de 2011
A Revolta da Vacina.
A História nos aponta que entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras décadas do século XX, foi um período onde houveram diversas mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais no Brasil.
Se, é clara a participação popular nas independências dos países latino-americanos em decorrência de verdadeiras guerras civis dentro de seus territórios, no Brasil passa por um processo diferente. Segundo a historiadora Emilia Viotti em seu texto, “Da Monarquia a República”, o Brasil, em seu processo de independência, teria ocorrido um golpe de estado proporcionado pela ala militar insatisfeita com os rumos que a monarquia dava ao país e o descaso com a qual se dava ao exército brasileiro. O período no qual durou a Primeira República ( 1889 – 1930), foi o momento em que se deu as transformações, e no decorrer dessas transformações é que vamos perceber a participação popular em momentos de revolta, efetivamente. A nova forma de organização política implantada no país levara o governo e o povo a diversos conflitos com proporções grandiosas, dos quais, seus desfechos sempre se concluíram fazendo valer os interesses das elites burguesas, como a Guerra de Canudos, Revolta da Chibata e a própria Revolta da Vacina.
Procuro aqui, tratar de um desses processos conflituosos dos quais o Brasil passou à custa de muito sangue em nome da “ordem e do progresso”. A Revolta da Vacina.
Contexto do País até a Revolta da Vacina.
Partindo da abolição da escravidão em 1888, com assinatura da lei Áurea pela princesa Isabel que simplesmente abria as portas das senzalas, mas que não planejou nenhum projeto de inserção social a esses alforriados. Lançara sobre o país um desencadeamento de miséria. Ex- escravos alforriados, sem nunca ter tido acesso a escola, formação profissional e, além de sofrer a com exclusão social e racial que os dispensavam de qualquer reconhecimento de cidadania, são lançados as ruas em busca de sua sobrevivência.
Em seguida, podemos relatar o processo de republicanização do Brasil seguido de diversas crises econômicas que assolaram o povo. José Murilo de Carvalho, em “ A formação das Almas” afirma que este período de nossa história foi influenciado por diversas linhas de pensamentos políticos europeus; o jacobinismo francês, o positivismo de comte, o liberalismo francês e norte-americano. A atuação desses pensamentos agindo de uma só vez foi observada como “verdadeiro samba do crioulo doido”(Carvalho,1998). Essas linhas de pensamentos se fizeram de certa forma todo o período da República Velha.
A cada fracasso de governos constituídos, tínhamos a disputa do poder por vertentes políticas baseadas nas vias de pensamento citadas a cima. Governos que se iniciaram com o militarismo de Marechal Deodoro da Fonseca e que se seguiu com Floriano Peixoto, e posteriormente com o os governos civis com eleições diretas, apesar de restrita a uma pequena margem da população, leva o país a ser governado por lideranças oligárquicas. Apesar das mudanças, foi mantida a estrutura do status quo, o povo permaneceu mantido em segundo plano. A herança das dívidas para bancos ingleses acumuladas nos tempos da monarquia são ampliados pelos primeiros governos republicanos. Uma política de combate as dívidas só veio a ser posta em prática no governo de Campos Sales, política que no seu resultado socializava as dívidas gerada por más administrações. A partir desta política de os déficits vão apresentando novos quadros. Os tristes moldes econômicos começam a tomar novos rumos, apesar da lentidão do processo e do alto custo que povo arcaria.
É dentro desse quadro que se apresenta o governo de Rodrigues Alves(1902-1906), período que ocorreu a Revolta da Vacina.
A situação da cidade do Rio de Janeiro no governo de Rodrigues Alves e a revolta.
Em 1902, ano que Rodrigues Alves assumiu a presidência, o Distrito Federal apresentava um dos maiores portos da América Latina, porém diversos problemas de infra-estrutura e saneamento básico dificultavam a possibilidade desse porto realizar grandes negócios, ruas estreitas, falta de lugares para estocar mercadorias e baixa profundidade da água do mar dificultava a aproximação dos navios e a locomoção das mercadorias.
O Rio de Janeiro precisava das reformas, a busca da modernização era extremamente importante para atrair investidores europeus e americanos, que até então, ao se deparar com a atual situação da cidade carioca, saiam daqui horrorizados com a falta de estrutura da cidade e a ploriferação de epidemias que provocavam no povo intenso sofrimento e morte em proporções alarmantes.
No entanto, Rodrigues Aves adota medidas que levam o Rio ao rumo do “progresso”, a base do “custe o que custar”.
Devido à política anterior, adotada por Campos Sales, na busca de sanar as dívidas públicas ao mesmo tempo levou o povo a miséria, dentro desta classe que sucumbiu neste momento, destacamos ex-escravos, filhos e netos de ex-escravos, imigrantes, nordestinos que vinham para o Rio acreditando nas promessas do progresso, pobres assalariados e pequenos comerciantes. Nicolau Sevcenko afirma em sua obra, “A Revolta da Vacina”, que esta classe é levada ao estado de “vagabundice compusória”(Sevcenko,1993), o governo proporciona o desemprego através dos altos juros, inflação descontrolada, superpopulação na cidade e a falência de diversos estabelecimentos comerciais e depois prende o indivíduo que se encontra na “vadiagem”.
Rodrigues Alves então, nomeia Pereira Passos prefeito do Rio de Janeiro, atrasa as eleições na câmara e deixa a cidade em suas mãos para que realize o mais breve possível a modernização da cidade. Pereira Passos assume um poder quase que ditatorial no Rio de Janeiro, devendo satisfações apenas ao presidente.
Na busca da solução para os problemas de epidemias na qual a cidade se encontrava, o médico e sanitarista Oswaldo Cruz desenvolve a vacina contra a varíola e juntamente com Pereira Passos implanta um programa obrigatório de vacinação.
É neste quadro que a Revolta da Vacina se apresenta, a situação de grande parte da população em alto nível de pobreza somada com a vacinação obrigatória, sanitaristas invadiam a casa das pessoas, despiam mulheres para a aplicação da vacina em uma época em que a sociedade considerava imoral a exposição dos braços femininos. Outro fator agravante foi as expropriações de casas, famílias eram expulsas de casas e quartos sendo verdadeiramente empurradas para fora do centro da cidade e a perseguição a vagabundice dentro das condições já citadas neste texto foram fatores que levaram a revolta a terríveis proporções.
Diante de todo este quadro, podemos apontar o que talvez fosse o estopim da revolta, a agitação da imprensa de esquerda colocando em dúvida a qualidade da vacina, fazendo com que a população temesse, e se recusasse a tomá-la, levantando diversas críticas ao governo então vigente, e uma esquerda formada por uma ala militar insatisfeitas, ex-monarquistas e jacobinos que se aproveitando de um momento extremamente conturbado para planejar um golpe de estado.
Uma organização lenta e precária faz com que o governo se articule para manter a ordem, e os conflitos nas ruas tomam dimensões grandiosas levando milhares de civis a se levantarem contra as forças da polícia e a ala do exército conservadora, o que os levaram a morte e a prisão. Mesmo fim, tiveram os que planejaram e tentaram o golpe de estado. Estes conflitos, de certo modo levaram o governo a um risco, mas a situação de caos conseguiu ser controlada pela própria política o levou, a da violência.
A modernização, as obras, o aburguesamento do centro da cidade, a política de exclusão social e de violência a classe menos favorecidas, a revolta popular e as tramas de um golpe foram capítulos que se concluíram com a morte de milhares de pessoas, com a prisão de muitas outras, com envio de prisioneiros para o Acre, para trabalhar na extração de borracha, levados em verdadeiros navios negreiros a base de torturas. Muitos que participaram deste triste evento proporcionados em nossa história, foram morrer bem longe do Rio de Janeiro.
A política de modernização se concretiza com a expulsão em definitivo dos pobres do centro da cidade, que fugidos, foram morar nos morros próximos, a região das favelas nas quais temos hoje em proproções bem maiores.
Nicolau Sevcenko aponta que a capitalização, a cosmopolitização, o aburguesamento “modernizador” foi praticado a todo custo e independentemente do mal que pudesse ser cometido a um povo. Um povo que talvez só fosse considerado povo no momento da arrecadação tributária.
José Murilo de Carvalho levanta a idéia de que a política brasileira sofreu influencias ao mesmo tempo, do positivismo, jacobinismo e liberalismo na primeira república. Mas talvez ele tenha esquecido de uma outra, na qual George Luckas trabalha muito bem no texto,”Um Galileu no Século XX “, a Via Prussiana, que através do totalitarismo implantou mudanças modernizadoras com as perspectivas sempre de cima para baixo na Alemanha do século XIX. Diante disto não seria equivocado nem anacrônico colocar que este meio também tenha sido posto em prática no Brasil.
Termino esta conclusão com uma fala de Câmara Cascudo em 1919 que retrata bem o que sempre foi a política no Brasil; “ Eu o conheci em 1919, ele morreu em 1921. Passando pela Faculdade de Medicina, ele foi nos visitar. Estava em campanha presidencial, competindo com Epitácio Pessoa. Alguém chegou esbaforido e avisou: “Rui Barbosa vem aí”. Não ficou um estudante na cadeira. Todo mundo arribou, inclusive os professores. A faculdade não existe mais, era na praia Vermelha, na Urca. De volta, tomamos a rua, de braços abertos, e ele teve que parar. Fez um pequeno discurso do automóvel, até hoje eu guardo um trecho na memória: “A política, senhores estudantes, é uma verminose brasileira. Inclina o clarão severo e sinistro, aceita o falsete da voz insidiosa e burla as consciências, falando todos os idiomas da mentira”. Só Rui fazia isso. Efetivamente a mentira é poliglota. Só Rui dizia isso".
Marcelo A. O. J. Leite.
Bibliografia
Luckas, George. Um Galilei no Século XX. Faltando dados
Carvalho, José Murilo. A Formação das Almas. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
Sevcenko, Nicolau. A Revolta da Vacina. São Paulo: Editora Scipione, 1993.
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